A tranquilidade e outros benefícios dos hobbies

Durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, o atleta de salto ornamental britânico Tom Daley chamou a atenção do mundo ao ser visto fazendo tricô nos intervalos das competições. Aos 27 anos, o medalhista de ouro disse ter se iniciado nessa atividade em meio à pandemia, como forma de “manter a sanidade mental”. Longe de estar sozinho, ele faz parte de uma legião de pessoas que encontram em hobbies a necessária tranquilidade.

Em entrevista à CNN Brasil, o neurocirurgião Fernando Gomes afirmou que hobbies ajudaram atletas a lidar com a pressão nos jogos, bem como a se concentrar antes das competições. “Quando a pessoa tem foco em outra atividade […] consegue colocar as emoções e aliviar tensões relacionadas ao processo do desempenho olímpico, faz com que ele possa abrandar as emoções e ter melhor desempenho”, disse o médico.

“Inconscientemente”, acrescentou Gomes, “ele pode repassar movimentos que precisa fazer no esporte, e isso de tirar a atenção de um ponto para outro faz com que ele possa aumentar a performance, pois sabemos que é extremamente importante trabalhar a parte emocional.”

A inclusão de atividades prazerosas na rotina nos traz mais bem-estar e tranquilidade para enfrentarmos os desafios pela frente. Os hobbies podem ser intelectuais – como ler, assistir a filmes, explorar a escrita intuitiva – ou podem ser práticos, como ioga, futebol, fotografia, jardinagem e culinária.

 

‘TRICOTAR É COMO EU ENCONTRO MINHA CALMA’

O importante é se identificar com o hobbie e praticá-lo com frequência. Tais atividades têm um impacto sobre as funções cerebrais, estimulando o foco e a concentração, dizem cientistas. Num estudo feito por psicólogos da San Francisco State University, nos Estados Unidos, com 350 participantes, aqueles que mantinham algum tipo de hobby criativo mostraram um desempenho de 15% a 30% superior aos demais. Eram mais envolvidos com seus projetos e mais eficientes.

Pesquisas mostram que os hobbies estimulam a criatividade, funcionam como válvula de escape para aliviar a pressão, estimulam interações positivas, melhoram a autoestima e dão motivação e propósito.

Ao fim dos Jogos de Tóquio, Daley declarou: “A única coisa que manteve minha sanidade ao longo de todo esse processo foi meu amor por tricô, crochê e costura”. Disse ainda: “Tricotar é como eu encontro minha calma, meu foco.”

O importante é descobrir um passatempo que, de fato, lhe traga satisfação. Ou seja, se os exemplos citados aqui não fazem sentido para você, explores outras possibilidades.

Sophia MAC, criadora de conteúdo e podcaster.