Árvore: o melhor meio de combater o calor em cidades

A ciência está de prova: a melhor tecnologia para reduzir o calor é a árvore. Num mundo onde a mudança climática tem provocado ondas de calor de inédita intensidade, as árvores são capazes de reduzir a temperatura urbana em dez graus, afirmam estudiosos.

Elas também diminuem a necessidade de ar-condicionado, o que não só significa menos emissão de carbono como pode ajudar a evitar quedas de energia durante picos de consumo de eletricidade – ou seja, durante as ondas de calor cada vez mais comuns em grandes cidades.

“As árvores são, simplesmente, a mais eficiente estratégia e tecnologia que temos para nos proteger do calor nas cidades”, disse ao New York Times Brian Stone Jr., professor de planejamento ambiental do Georgia Institute of Technology.

Estamos falando de áreas urbanas, onde a especulação imobiliária não costuma hesitar em derrubar árvores e substituí-las por edifícios. Moradores por vezes se unem para impedir esses atos, e prefeituras com consciência ambiental também são capazes de ações heroicas. Mas as estatísticas mostram que o saldo final acaba sendo em favor da destruição.

 

O DESAFIO DE IMPEDIR DERRUBADAS EM CENTROS URBANOS

Nos Estados Unidos, onde os esforços para plantar árvores são comuns em áreas urbanas, pesquisas mostram que a cada ano as cidades perdem nada menos que 36 milhões árvores – nessa conta entram também aquelas que são eliminadas por motivos como pragas e tempestades.

“É um desafio fazer árvores prosperarem na cidade”, disse ao Times Phillip Rodbell, líder de uma equipe do Serviço Florestal americano que estuda o impacto social, econômico e ecológico das árvores urbanas.

Des Moines, capital de Iowa, tem um prefeito ambientalista, Frank Connie. Ali, autoridades municipais haviam proibido a derrubada de quatro cedros no terreno de um prédio particular. O imóvel foi alugado para um restaurante cujos donos, aparentemente, não tinham conhecimento da proibição e iniciaram a derrubada dos cedros.

O diretor de obras públicas da cidade, Shane McQuillan, chegou ao local quando dois cedros já haviam sido abatidos. Conseguiu preservar os dois restantes. As árvores são “a única infraestrutura que agrega valor com o passar do tempo”, disse ele, sem esconder o que definiu como um “sentimento de derrota”.

 

UMA INFRAESTRUTURA REAL, E NÃO UMA AMENIDADE

Em Des Mones, o Trees Forever, um grupo sem fins lucrativos, planta e cuida de árvores que substituem aquelas que são derrubadas. Leslie Berckes, diretora de programas do grupo, afirmou que a meta é plantar mil árvores até o fim do ano, mas reconheceu que o esforço pode não ser suficiente para compensar a destruição.

Para cientistas e ambientalistas, o problema é que os americanos – sejam eles cidadãos comuns ou autoridades – não têm consciência dos benefícios que as árvores proporcionam. Além de reduzir o calor, elas filtram a poluição, absorvem as águas de tempestades, alimentam pássaros e melhoram a saúde física e mental de moradores.

“É difícil pensarmos em árvores como uma infraestrutura real, e não como uma amenidade, e por causa disso não alocamos recursos suficientes”, disse Stone, do Georgia Institute of Technology. “Se pensarmos nelas como uma infraestrutura real, assim como investir em estradas, redes de esgoto e tudo o mais, esses custos se tornarão mais aceitáveis para nós.”

Segundo o Departamento de Energia dos EUA, árvores bem posicionadas podem reduzir em 25% os gastos com eletricidade. Ainda assim, elas muitas vezes são vistas como um incômodo, por sujarem calçadas ou pelo temor de que destruam encanamentos. O importante, afirmam especialistas, é escolher as espécies adequadas para ambientes urbanos.