Como ser um líder capaz de dar voz aos tímidos

Líderes de empresas e organizações costumam lidar com funcionários que ficam calados em reuniões de trabalho. O motivo desse silêncio pode ser pura e simplesmente timidez, mas não é difícil fazê-los falar. Em artigo para o blog Your Brain at Work, do Neuroleadership Institute, o jornalista especializado em ciência Jay Dixit afirma que esse tipo de retração é uma consequência natural de dinâmicas de grupo, e faz um alerta: pode significar que pessoas com boas ideias não estão sendo ouvidas. Ele sugere aos líderes três estratégias que ajudam a garantir que todos numa reunião se sintam seguros para se manifestar:

  • Não faça suposições: É comum um líder supor que se uma pessoa não fala é porque não tem nada para contribuir. Trata-se de uma suposição natural, em especial quando o líder é alguém que fala abertamente com frequência. Isso porque construímos modelos mentais de estados internos dos outros pensando na maneira como nós próprios nos comportamos. Mas projetar os próprios hábitos, motivações e intenções no outro é uma tendência cognitiva chamada “efeito de falso consenso”. É perigoso achar que uma pessoa não fala por não ter nada a dizer. Ela pode não encontrar oportunidade para isso. Pode também achar que, por sua posição inferior, falar não seria apropriado, principalmente se isso significa desafiar a opinião de alguém. Cabe ao líder criar um espaço em que mesmo as pessoas silenciosas se sintam à vontade para falar.
  • Use seu poder permanentemente: Como líder, você pode usar seu poder para que sejam ouvidas aquelas pessoas que, sem a sua ajuda, poderiam permanecer caladas. Verifique se na reunião há alguém cujo idioma natural não é aquele que está sendo utilizado, o que pode dificultar-lhe a expressão. Se você notou que uma pessoa é introvertida e se sente mais confortável quando está falando com apenas um interlocutor, crie espaço para que ela se manifeste. Às vezes, basta perguntar a ela o que pensa. Muitos introvertidos reagem bem a isso. Outras vezes, pode ser que você tenha que interromper pessoas que dominam a conversa para abrir espaço para aquelas que permanecem caladas.
  • Use um tom de voz receptivo: Se você quer criar uma cultura de participação aberta, em que todos se sintam à vontade para contribuir com ideias, precisa definir o propósito por trás daquilo que está fazendo. Não suponha que suas intenções estão claras para os outros só porque estão claras para você. Tal suposição é uma tendência cognitiva conhecida como “ilusão de transparência”. Portanto, antes de interromper a fala de um extrovertido para abrir espaço para os introvertidos, pode ser bom você explicar o novo processo e o raciocínio por trás dele. Diga algo como, “Como estou conduzindo essa reunião, quero assegurar que todos sejam ouvidos. Se eu lhe interromper, por favor, não se ofenda. Eu só quero assegurar que criemos espaço para todos.” Lembre-se: ao convidar os calados a falar, você não está apenas abrindo espaço para eles. Está enviando a mensagem de que vale a pena ouvi-los. Está ajudando-os a construir a própria eficácia e a pensar: “Eu posso e devo falar. Minha voz é bem-vinda.”