Consumo consciente aquece mercado de leite vegetal

Houve um tempo em que era comum extrair leite vegetal de leguminosas e oleaginosas (nozes, castanhas e outras sementes) batidas e coadas, num processo doméstico utilizado em especial para atender a quem era alérgico a leite de vaca. Mais tarde, o leite de soja em versão industrializada passou a dominar o segmento. Hoje, o consumidor encontra nas prateleiras leites de amêndoa, amendoim, aveia, arroz e castanha-do-pará, entre outros.

A maior variedade de leites vegetais no mercado brasileiro vem atendendo não só a alérgicos, mas também a veganos e vegetarianos que fogem de produtos animais e buscam um consumo consciente. Eles rejeitam o leite de soja, associado ao agronegócio discriminado e prejudicial à terra, priorizando versões consideradas com menor impacto ambiental.

A saúde agradece. Se o leite de vaca tem mais proteínas, o leite vegetal tem menos gorduras saturada, trans e colesterol, sendo benéfico ao coração. Além disso, em geral não tem conservantes encontrados nos produtos de origem animal e são enriquecidos com cálcio, zinco e vitaminas. Em algumas versões, o sabor pode se aproximar ao do leite de vaca.

Em depoimento à revista Quem, a nutricionista Ligia Prestes confirma as vantagens do leite vegetal sobre o animal: “As bebidas vegetais não possuem colesterol e têm mais vitaminas e minerais como potássio, selênio, cobre, zinco, manganês, magnésio e ferro. Quem quer aproveitar os benefícios da aveia, por exemplo, vai se beneficiar bastante com a troca, por causa da fibra.”

 

OS BENEFÍCIOS DE DIFERENTES LEITES VEGETAIS

Entre as marcas disponíveis no mercado estão A Tal da Castanha, Not Milk, Nuts, Nude e Silk. Por trás de parte delas estão as chamadas foodtechs, ou startups de alimentação.

No ano passado, uma pesquisa da Dupont constatou que 67% dos brasileiros se interessam por produtos vegetais. Já o consumo de leite de soja, embora ainda dominante, caiu 64% em volume nos últimos cinco anos, segundo dados do Euromonitor International obtidos pelo Estadão. No mesmo período, outras bebidas vegetais cresceram 540%, afirmou a empresa de pesquisa de mercado.

Gregory Ribeiro, analista de pesquisa da Euromonitor International, afirmou ao Estadão: “Hoje, o consumo de bebidas de soja ainda é superior às demais alternativas, que são categorias recentes no Brasil. Mas a perspectiva é que nos próximos anos esses volumes vão se igualar com a queda da soja, puxada por uma mudança na motivação do consumo.” Ele explicou: “Houve uma mudança de percepção em relação ao impacto ambiental da soja, associada ao agronegócio não sustentável.”

O Brasil é o quinto mercado de leite no mundo. O leite vegetal responde por 13% desse mercado, e a tendência é que esse percentual aumente bastante. O site Minha Vida aponta os benefícios de diferentes leites vegetais:

  • Leite de amêndoas: ajuda a regular o metabolismo.
  • Leite de arroz: possui cálcio e vitaminas B3 e B12.
  • Leite de aveia: tem baixo índice glicêmico, faz bem ao coração e combate a constipação.
  • Leite de castanha-do-caju: é menos calórico e fortalece os ossos.
  • Leite de castanha-do-pará: rico em selênio, tem ação antioxidante.
  • Leite de coco: melhora o colesterol e combate vírus e bactérias
  • Leite de inhame: fonte de vitamina C, combate a diabetes e a constipação.
  • Leite de semente de limão: tem ação antioxidante, analgésica, diurética e anti-inflamatória.
  • Leite de soja: fonte de proteínas e vitaminas do complexo B, é saudável para o coração.