Higiene bucal ajuda a combater o coronavírus

Não é só lavar as mãos e usar máscara. A higiene bucal pode ser fundamental para combater o coronavírus, já que uma das principais vias de entrada do coronavírus no organismo é a boca. O uso de higienizador/limpador/raspador de língua – que se tornou mais comum nesses tempos de pandemia – pode ajudar, uma vez que ele remove bactérias existentes na cavidade bucal que podem propiciar ou agravar infecções respiratórias.

O professor Vinícius Pedrazzi, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp, SP), diz que uma boa limpeza bucal pode evitar principalmente infecções pulmonares que agravam a Covid-19. O ideal, afirma, é que esse hábito seja incorporado à rotina pelo resto da vida. Ele alerta ainda para a importância de higienizar corretamente as mãos antes de higienizar a boca, por causa do contato entre as duas partes no ato da limpeza da boca.

Em artigo dirigido à comunidade da Forp, Pedrazzi recomenda os seguintes procedimentos:

  • Limpar a língua com um higienizador específico ou com uma escova de cerdas macias. A limpeza deve ser feita a partir da parte mais posterior da língua, ou seja, de trás para a frente, em três ações: sobre o terço direito da língua, sobre o terço central e sobre o terço esquerdo. Essa ação remove mecanicamente biofilmes (ecossistemas) bucais que favorecem a proliferação de bactérias infecciosas.
  • Antes da escovação, usar o fio dental de forma adequada.
  • Escovar os dentes com uma escova de cerdas macias e brancas – não usar cerdas coloridas, que podem mascarar eventuais sangramentos. Usar uma pasta de dentes com flúor ou agentes terapêuticos.
  • Usar um enxaguante bucal quando necessário, inclusive com gargarejo se a garganta estiver doendo, o que é sinal de inflamação ou infecção. Os enxaguantes, enfatizou, não substituem a remoção mecânica dos biofilmes bucais.
  • Manter a escova de dentes e o higienizador de língua imersos em solução desinfetante para evitar reinfecção após o uso. Jamais compartilhá-los.

O Departamento de Odontologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo recomenda lavar a escova em água corrente e borrifar álcool a 70 graus ou água oxigenada sobre toda a superfície (cerdas, cabeça e cabo) durante um minuto após a escovação, uma vez  que o vírus tem resistência baixa a essas substâncias. Em seguida, sugere depositar a escova num copo, com as cerdas para cima e separada de outras escovas. Gavetas, armários e protetores são desaconselhados por serem lugares quentes e úmidos, que favorecem a proliferação de bactérias.

Celso Augusto Lemos, professor de estomatologia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), emitiu opinião semelhante à de Pedrazzi. “Apesar de existirem algumas questões científicas em relação à higiene da língua, muitos autores consideram razoável a escovação suave dela com a escova de dente, pelo menos duas vezes ao dia, para que a camada de biofilme normal se mantenha em equilíbrio”, disse ele ao site Viva Bem.

Também o cirurgião-dentista Ricardo Schmitutz Jahn, professor da Universidade Santo Amaro (SP), recomendou a limpeza da língua. Ele considerou que o raspador de língua não é essencial, podendo ser substituído pela própria escova de dentes ou mesmo por uma colher. Qualquer que seja o objeto usado, assinalou, a raspagem deve ser feita de trás para a frente, para remover a sujeira. E após essa limpeza deve-se enxaguar a boca com água limpa.