Indicações para “Nobel ambiental” começam em breve

A partir de 1º de novembro, estarão abertas as indicações para o mais novo e ambicioso prêmio ambiental que já houve no mundo: o Earthshot. Indivíduos, grupos comunitários, ativistas, economistas, líderes, empresas, governos, cidades e até países poderão concorrer ao que está sendo chamado de Nobel do ambientalismo. Anualmente, serão escolhidas cinco soluções ambientais, e cada vencedor ganhará 1 milhão de libras, o equivalente a R$ 7,3 milhões.

Com o intuito de injetar otimismo nas questões ambientais, o prêmio é uma iniciativa da Fundação Real do Duque e da Duquesa de Cambridge – o príncipe William e sua esposa, Kate Middleton. Foi lançado por duas das figuras mais populares no Reino Unido: o próprio William e o naturalista David Attenborough, ex-diretor da BBC conhecido por conduzir documentários sobre história natural.

O objetivo do Earthshot é reconhecer e incentivar as melhores soluções para os mais graves problemas ambientais do mundo. A ideia é premiar boas ideias, seja uma tecnologia, uma nova maneira de fazer coisas ou uma nova política, como explicaram William e Attenborough.

A cada ano serão escolhidos cinco vencedores, de acordo com cinco “metas universais para consertar o planeta até 2030”: construir um mundo sem resíduos, proteger e restaurar a natureza, limpar o ar que respiramos, recuperar os oceanos e resgatar o clima.

 

JOGADOR DE FUTEBOL BAIANO NO CONSELHO

O compromisso dos organizadores é premiar 50 iniciativas em uma década, num total de 50 milhões de libras (em torno de R$ 367 milhões) em prêmios a serem distribuídos até 2030. Esse dinheiro virá de uma coalizão de indivíduos, empresas e organizações, e os vencedores deverão investi-lo em iniciativas ambientais e de conservação.

O prêmio tem o apoio de uma aliança de ONGs intitulada Global Alliance. As indicações dos candidatos serão feitas por cem organizações convidadas, incluindo os membros da aliança e instituições acadêmicas. Para a premiação, haverá uma cerimônia anual a ser realizada a cada ano em uma cidade, a começar por Londres, em 2021.

Os vencedores serão escolhidos por um conselho formado por figuras de diferentes regiões do mundo e de diversos setores “comprometidas em promover ações positivas na área ambiental”, segundo o site do Earthshot. A América Latina é representada pelo jogador de futebol baiano Daniel Alves, pela cantora colombiana Shakira e pela portorriquenha Christiana Figueres, que foi chefe do clima na ONU.

Também integrantes do conselho, William e Attenborough atuarão como embaixadores do prêmio, divulgando-o e ajudando a motivar ações ambientais. No conselho estão ainda: a atriz australiana Cate Blanchett; a rainha da Jordânia, Rania Al Abdullah; a ambientalista chadiana Hindou Oumarou Ibrahim; a empresária americana nascida na Índia Indra Noyi, ex-CEO da PepsiCo; o empresário chinês Jack Ma, fundador e ex-CEO do Alibaba Group; a ex-astronauta japonesa Naoko Yamazaki; a política e economista nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala; e o ex-jogador de basquete chinês Yao Ming, que atuou nos EUA.

 

WILLIAM RECEBE DO PAI MISSÃO AMBIENTAL

“Esperamos que o prêmio Earthshot alcance todos no mundo”, disse Williams à BBC. “De comunidades e escolas a bancos, governos, corporações, qualquer um e todos são uma parte disso e qualquer um pode encontrar soluções que precisamos.” Mesmo sugestões que “possam parecer malucas”, emendou Attenborough.

Para Williams, o lançamento do prêmio representou o momento em que ele recebeu do pai, o príncipe Charles, a missão ambiental. “Sinto que agora a responsabilidade é minha”, disse ele. Há décadas envolvido com questões ecológicas, Charles lembrou em entrevista à BBC que às vezes suas ideias ambientais eram consideradas um pouco doidas.

Williams comentou sobre o pai: “Ele fala sobre isso há muito tempo e muito antes de as pessoas se ligarem na mudança do clima”. E acrescentou: “Acho que uma pessoa doida agora seria aquela que não acredita na mudança climática.”

O nome Earthshot é inspirado em Moonshot, como foi chamado o projeto americano de enviar o homem à Lua, nos anos 1960 – o termo também pode se referir à realização de algo muito difícil. Mais de cinquenta anos depois da missão lunar, é a vez da missão terrestre.