Movidos pelo fascínio das viagens espaciais

Contemplada recentemente com uma bolsa de estudos de quase R$ 2 milhões para estudar física e ciência de computação na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, a goiana Nicole Vieira Pires, de 18 anos, não titubeou quando lhe perguntaram sobre seus objetivos: disse que um de seus maiores sonhos é ser astronauta.

Mais de quarenta anos depois de o homem pisar na Lua, o sonho de viajar pelo espaço – e de explorá-lo – continua sendo acalentado por muita gente mundo afora. O Discovery Channel está agora à procura de dez amadores dispostos a realizá-lo. Eles participarão do reality show Who Wants To Be an Astronaut, uma série de oito episódios em que o vencedor receberá como prêmio uma viagem à Estação Espacial Internacional (EEI). A exibição do programa está prevista para o ano que vem.

“Gostaríamos de ter um grupo diverso de pessoas que tenham cada uma sua própria história, por que querem ir ao espaço, por que são dignas de ir ao espaço, qual é sua história anterior”, disse Jay Peterson, presidente do Boat Rocker Studios, uma das empresas envolvidas na produção do reality show, em depoimento ao New York Times.

Explicar o desejo de viajar ao espaço pode não ser uma tarefa simples. É algo que parece ir além da lógica, penetrando em territórios mais profundos da mente humana, habitados pela atração pelo desconhecido.

Em 2007, num artigo para a Air Space Magazine, o físico e engenheiro espacial americano Michael Griffin, que administrou a Nasa (agência espacial americana) de 2005 a 2009, procurou explicar os motivos que levam o homem a explorar esse universo.  Entre os “motivos aceitáveis” citados por ele está o objetivo de trazer o sistema solar para a esfera da influência econômica.

Griffin admitiu, porém, que os interesses econômicos não são explicação suficiente. Segundo ele, há pelo menos dois motivos intuitivos que movem o homem em sua odisseia espacial: a curiosidade e o desejo de deixar um legado para as gerações seguintes – mais ou menos como faziam os povos antigos ao erguerem majestosas catedrais, comparou.

 

MILIONÁRIO JAPONÊS DISPOSTO A SER O PRIMEIRO TURISTA ESPACIAL

São inúmeras as empresas que hoje se dedicam a explorar não só o espaço, mas o desejo de conhecê-lo de perto. Algumas anunciam até futuros hotéis com vista para a Terra. O turismo espacial tem sido bastante divulgado, embora ainda não concretizado. O bilionário japonês Yusaku Maezawa é o primeiro da fila. Em dezembro, ele espera passar doze dias no espaço e, se possível, circundar a Lua.

Para isso, Maezawa investiu um bom dinheiro na SpaceX, a empresa espacial de Elon Musk. O empresário japonês  chegou a anunciar que procurava uma namorada para acompanhá-lo na viagem. Vinte mil mulheres se candidataram, mas ele mudou de ideia: resolveu procurar oito pessoas dispostas a embarcar com ele na espaçonave Starship.

Recentemente, por ocasião da assinatura de um acordo que deu à Axiom Space, empresa do Texas, o direito de realizar sua primeira missão de astronautas privados à EEI, Phil McAlister, diretor da Nasa para desenvolvimento de voos espaciais comerciais, comentou que vivemos “um ponto de inflexão” no campo da exploração espacial.

A Axiom tem planos de construir sua própria estação espacial, assim como a Rússia e China. “No fim da década, acredito que teremos pelo menos cinco, possivelmente dez, estações privadas”, disse ao New York Times Jeffrey Manber, CEO da NanoRacks, empresa que organiza o uso comercial da EEI e que também planeja ter a sua própria estação.

Não faltam candidatos a turistas espaciais dispostos a enfrentar as condições adversas de um ambiente sem gravidade. De olho neles, os empresários Jeff Bezos e Elon Musk vivem uma disputa acirrada em seus projetos. “É mais do que uma batalha pelo espaço. É uma batalha de egos”, comentou recentemente o analista de tecnologia Daniel Ives sobre os dois.

Se Bezos é hoje considerado o homem mais rico do mundo (com US$ 202 bilhões, segundo a Forbes), Musk não fica muito atrás – está em terceiro, com US$ 167 bilhões. E tem sido claramente o preferido da Nasa. Sua SpaceX foi autorizada a enviar astronautas ao espaço e já pôs milhares de satélites em órbita. Bezos ainda não lançou nenhum satélite.