Paladar e genética o que eles têm em comum?

Alguns de nós preferem beber café e chá e tomar cervejas escuras. Outros estão mais inclinados a tomar bebidas adocicadas, evitando os sabores amargos sempre que possível.

O que até bem pouco tempo atrás parecia ser uma questão pessoal acaba de encontrar uma motivação genética. E que vai muito além da nossa sensibilidade a aromas e sabores.

A cientista Marilyn Cornelis, da Northewestern University, procurou por variações em nossos genes de sabor que pudessem explicar o gosto por sabores amargos ou doces. Para sua surpresa, nossos gostos não são baseados em variações em nossos genes gustativos, mas sim nos genes relacionados às propriedades psicoativas dessas bebidas.

Ou seja, a gente gosta das sensações provocadas pelo café e pelo álcool. Não somos especialmente fãs do seu sabor, e sim mais ou menos sensíveis aos seus efeitos.

Implicações para a saúde

Cornelis encontrou uma variante em um gene, chamado FTO, ligada à preferência por bebidas açucaradas. Essa é a mesma variante anteriormente relacionada ao menor risco de obesidade. Apesar do consumo de açúcar estar diretamente ligado ao ganho de peso e à doenças crônicas como o diabetes, pessoas que possuem a alteração genética que condiciona sua preferência por bebidas doces são menos propensas a engordar.

Isso indica que o gene FTO está conectado ao comportamento humano, e não ao metabolismo em si. O mesmo vale para a preferência por bebidas amargas.

Este é o primeiro estudo de associação genômica do consumo de bebidas com base na perspectiva do paladar.

As bebidas açucaradas estão ligadas a muitas doenças crônicas, como o diabetes. Já o consumo de álcool está relacionado a mais de 200 problemas de saúde, além de ser responsável por cerca de 6% das mortes no mundo.

Pesquisas como essa ajudam profissionais e especialistas a encontrarem dietas que funcionem melhor para seus pacientes, adaptadas aos seus hábitos e à sua constituição genética.