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Os perigos do uso excessivo de celular por crianças

A quarentena tem sido um momento caótico para muitas famílias. Principalmente para aquelas cujos pais continuam trabalhando em tempo integral em casa, ao mesmo tempo que precisam cuidar das crianças e supervisionar a rotina delas. Muitos pais vêm se sentindo estressados e sobrecarregados. Dessa forma, o celular e outros aparelhos eletrônicos podem representar um recurso prático e cômodo para entreter os filhos.

No entanto, é preciso tomar cuidado com o uso excessivo de celular pelas crianças. Elas já estão com as atividades e a socialização limitadas por causa do isolamento social. Se passarem muito tempo utilizando o celular, podem se distanciar ainda mais das possibilidades que lhes restam de brincadeiras e socialização presencial.

Quando interagem com os outros ou brincam, as crianças têm a possibilidade de desenvolver habilidades importantes para a vida. Entre estas, podemos destacar a capacidade de conhecer as próprias emoções e controlá-las; a empatia; a capacidade de comunicação; a capacidade de se planejar para atingir um objetivo; a capacidade de criar; e o desenvolvimento de habilidades físicas.

Desenvolvimento de tolerância a frustrações

Ao fazerem uso excessivo de celular, as crianças podem deixar de desenvolver ou aprimorar competências, como estas já citadas, e sofrer prejuízos em seu desenvolvimento. Isso ocorre porque o celular e outros dispositivos eletrônicos oferecem jogos e entretenimento altamente estimulantes. Promovem imediatamente uma gratificação que outras atividades podem demorar mais para promover.

Se as crianças têm uma frustração ao perderem um jogo, podem recomeçar imediatamente, não precisando lidar com esse sentimento. Além disso, elas estão no controle ao utilizarem o celular. É o desejo delas que impera naquele momento. Elas não precisam adequar seu comportamento à demanda dos outros. Isso atrapalha o desenvolvimento da tolerância a frustrações. As crianças podem se desinteressar cada vez mais por outras brincadeiras ou atividades, assim como por interagir de forma presencial com seus pares.

Os prejuízos acarretados são diversos. As crianças podem começar a apresentar problemas de aprendizagem e socialização, por terem dificuldade de fazer o gerenciamento emocional necessário para dar conta das demandas escolares, bem como para estabelecer e manter amizades. Sem falar em problemas de obesidade e saúde, que podem ser desenvolvidos devido ao sedentarismo gerado pelo uso excessivo de celular. Elas se distanciam das práticas esportivas e de brincadeiras que as levam a movimentar o corpo.

 

Estímulo a outras brincadeiras e atividades

Estudos de psiquiatria mostram hoje que crianças que utilizam de forma demasiada o celular também podem desenvolver depressão. Além disso, aquelas com predisposição a compulsão estão mais suscetíveis a desenvolver uma relação de dependência com o aparelho eletrônico, denominada nomofobia.

O termo nomofobia foi criado na Inglaterra a partir das palavras “no mobile phobia”. Refere-se à dependência de celular, computador, internet e redes sociais. Os sintomas incluem angústia, desconforto, insegurança e ansiedade quando a pessoa não está usando o celular ou o computador, quando está desconectada da internet ou das redes sociais. Além de gerar um sofrimento emocional para a criança, isso pode gerar prejuízos em diversas áreas de sua vida.

Portanto, é importante os adultos controlarem o tempo de uso do celular pelas crianças. Eles devem estimulá-las a se interessar por outras brincadeiras e atividades. Devem permitir que elas sintam tédio e aprendam a lidar com isso. Momentos de tédio podem levá-las a criar novas brincadeiras e a desenvolver novos interesses. Isso é importante para aprender a lidar com frustrações, a buscar soluções e a encontrar novos interesses. Lidando com pequenas frustrações, as crianças se fortalecem emocionalmente, o que é importante para que desenvolvam resiliência.

Compreendo que, devido às restrições da quarentena, as brincadeiras e as atividades das crianças estejam limitadas. Muitos adultos estão mais estressados com a sobrecarga de atividades também. Eles não precisam fazer da casa um quartel-general. Podem deixar as crianças usar mais tempo o celular um dia ou outro. Mas isso não deve se tornar um hábito. As crianças precisam ter uma rotina durante a semana e os adultos devem supervisioná-las. Dessa forma, vamos em frente, lutando com as armas que temos.

Fernanda Fragelli, psicóloga, especialista em educação.

 

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