Quem pratica bondade vive melhor, diz estudo

Gentileza gera bem-estar. A afirmação poderia estar em normas religiosas e regras de comportamento social, mas trata-se da conclusão de uma extensa pesquisa publicada no Psychological Bulletin e divulgada pela American Psychological Association. O estudo mostrou que atos de bondade não apenas trazem felicidade a quem os pratica, mas melhoram a saúde física e mental. A força dessa relação dependeria de diversos fatores, incluindo o tipo de bondade praticada e a idade e o gênero de quem pratica.

“O comportamento pró-social, altruísmo, cooperação, confiança e compaixão, são todos ingredientes necessários para uma sociedade harmoniosa e que funciona bem”, disse o principal autor do estudo, Bryant PH Hui, PHD em sociologia pela Universidade de Cambridge e professor e pesquisador da Universidade de Hong Kong.

Estudos anteriores já haviam indicado que pessoas com um comportamento mais pró-social são mais felizes e têm melhor saúde física e mental do que aquelas que não têm esse tipo de comportamento. Mas nem todos esses estudos apresentavam provas disso e a força dessa relação variava muito na literatura científica disponível.

Para entender melhor o que motiva essa variação, Hui e sua equipe fizeram uma meta-análise de 210 estudos independentes – num total de 198.123 participantes – que abordavam a relação entre o comportamento pró-social e o bem-estar. Embora tenham encontrado uma ligação considerada modesta, eles disseram que o efeito é significativo por conta da quantidade de pessoas que demonstram esse comportamento.

“Mais de um quarto dos americanos fazem trabalhos voluntários, por exemplo”, disse Hue. “Um efeito modesto ainda pode ter um impacto significativo no nível da sociedade quando muitas pessoas estão participando desse comportamento.”

 

EFEITOS EM MULHERES SERIAM MAIORES

Os pesquisadores verificaram que atos casuais de gentileza – como ajudar um vizinho a carregar as compras – têm um efeito mais forte sobre o bem-estar do que um trabalho de caridade voluntário. Isso aconteceria porque a ajuda informal é mais espontânea e pode levar mais facilmente à formação de conexões sociais.

Outra constatação foi a de que os efeitos de bem-estar variam conforme a idade. Pessoas mais jovens disseram se sentir melhor e mais realizadas ao praticarem atos de bondade. Já os mais velhos relataram uma melhora na saúde física.

Foram verificadas também diferenças de efeito entre os gêneros. As mulheres sentem de maneira mais forte que os homens os efeitos dos atos de bondade sobre a saúde física e mental. Essa diferença foi atribuída ao estereótipo de que as mulheres são seres que cuidam e se doam e, por isso, teriam sentimentos bons mais fortes e mais condizentes com as normas sociais.

Em 2018, Sonja Lyubomirsky, professora de psicologia da Universidade da Califórnia, resolveu fazer uma pesquisa para comprovar estudos que mostravam uma ligação entre emoções positivas e saúde. Ela e seus colegas passaram quatro semanas praticando pequenos atos de bondade, como recolher o lixo do departamento onde trabalhavam. No fim, eles constataram benefícios para a saúde “coerentes com alegações de que ser gentil ajuda a fortalecer o sistema imunológico”.