Escócia terá usina para remover CO2 da atmosfera

A Escócia ganhará uma usina capaz de remover 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera a cada ano, quantidade correspondente à ação de 40 milhões de árvores. O projeto foi anunciado pelas empresas Storegga (britânica) e Carbon Engineering (canadense). Segundo elas, o CO2 removido poderá ficar armazenado permanentemente sob o leito do Mar do Norte, na costa escocesa.

Batizado de Direct Air Capture, o projeto está ainda em fase de planejamento, mas um estudo de viabilidade já foi realizado e a previsão é de que a instalação seja inaugurada em 2026. A usina escocesa seria a maior do planeta. A Storegga informou que trezentos empregos serão criados e que a localização será decidida no ano que vem.

A iniciativa vai de encontro ao objetivo do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) de manter o aumento das temperaturas globais abaixo de 1,5 graus até o fim deste século, do contrário a segurança do mundo estaria ameaçada. Em 2020, as temperaturas registradas já estavam 1,2 graus acima do nível histórico.

Segundo o IPCC, ao longo da próxima década teremos que reduzir a quantidade de carbono emitida por carros, sistemas de refrigeração e calefação e outras fontes. Ainda assim, afirmam cientistas, são necessárias outras medidas para cumprir a meta estabelecida.

“Mesmo que todas as outras medidas que estamos tomando para evitar emissões – carros elétricos, energia renovável, esse tipo de coisa – sejam bem-sucedidas, ainda é preciso remover o carbono”, disse Steve Oldham, CEO da Carbon Engineering, à BBC.

 

ABUNDÂNCIA DE ENERGIAS RENOVÁVEIS NA REGIÃO

Líder no setor, a Carbon Engineering tem uma usina piloto em Squamish, na Colúmbia Britânica, onde diariamente é removida uma tonelada de CO2. O sistema inclui um ventilador que suga o gás da atmosfera. Em seguida, o gás é exposto a uma mistura líquida que o prende. Por meio de um refinamento, o líquido é transformado em bolinhas de carbonato de cálcio.

Quando tratadas à temperatura de aproximadamente 900 graus, as bolinhas se decompõem em vapor de CO2 e óxido de cálcio. Esse vapor passa por uma limpeza para que sejam removidas impurezas. Assim, ele pode ser então bombeado para debaixo da terra, ficando enterrado permanentemente, ou também pode ser vendido para uso comercial ou ainda transformado em combustível líquido.

As duas empresas informaram que a Escócia foi a região escolhida para a instalação da usina por sua abundância de fontes de energias renováveis e por contar com uma mão de obra qualificada, proveniente da indústria de petróleo no Mar do Norte. Outra facilidade ali é a existência de tubulações sob o mar que permitiriam enterrar o carbono capturado.

Cientistas manifestaram preocupação com o impacto da usina sobre energia, água e uso da terra. Defensores do projeto argumentaram, porém, que se trata de uma boa opção para limitar o impacto climático de indústrias que têm dificuldade de reduzir a emissão de carbono, como as de transportes, aviação e petróleo.