Harvard vai em busca de tecnologia extraterrestre

Tendo por trás a prestigiada Universidade de Harvard, em Massachusetts, um grupo de cientistas anunciou que dará início à busca de provas da existência de vida extraterrestre. Batizada de Projeto Galileu, a iniciativa concentrará a pesquisa na procura de tecnologias avançadas que poderiam estar associadas a civilizações de outras galáxias.

A equipe é liderada pelo astrônomo Avi Loeb, professor de Harvard, e conta com o apoio de Frank Laukien, CEO da Bruker Corporation, empresa fabricante de equipamentos científicos, com sede também em Massachusetts.

Na apresentação do projeto, o grupo afirma: “Considerando a recém-descoberta abundância de sistemas Terra-Sol, o Projeto Galileu se dedica à proposição de que os humanos já não podem ignorar a possível existência de civilizações tecnológicas extraterrestres e de que a ciência não deveria rejeitar dogmaticamente potenciais explicações extraterrestres por causa de estigma social ou preferências culturais.”

O projeto foi anunciado semanas depois da divulgação de um relatório do governo dos Estados Unidos sobre Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) observados pela marinha americana. O documento cita Oumuamua, nome dado a um objeto celeste visto pela primeira vez em outubro de 2017, por astrônomos de um projeto da Universidade do Havaí cujo objetivo era procurar objetos em possível rota de colisão com a Terra.

 

OBJETO CELESTE NÃO IDENTIFICADO PODERIA SER SONDA EXTRATERRESTRE

Oumuamua – que na língua havaiana significa “mensageiro de muito longe que chega primeiro” – tinha cerca de oitocentos metros de comprimento, largura aproximadamente dez vezes menor e superfície avermelhada. Pesquisadores calcularam que sua velocidade era de 87,3 quilômetros por segundo e estimaram que ele fazia uma rotação completa em 7,3 horas.

O objeto celeste não se assemelhava a cometas ou asteroides. Cientistas de Harvard especularam que poderia ser uma sonda enviada por uma civilização de outra galáxia. Oumuamua deixou de ser visto no sistema solar em janeiro de 2018.

“Oumuamua revelou ter propriedades altamente anômalas que desafiam explicações naturais bem compreendidas”, declararam os cientistas do Projeto Galileu. Com um esforço de imaginação, disseram eles, pode-se supor tratar-se de “um objeto tecnológico extraterrestre, semelhante a um veleiro muito fino ou a uma antena de comunicação”.

Em estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters, os astrônomos Abraham Loeb e Shmel Bialy consideraram a possibilidade de Oumuamua ser um veleiro flutuando no espaço como um resíduo de equipamento tecnológico avançado. Seria impulsionado por radiação solar, assim como Ikaros, uma sonda interplanetária lançada pelo Japão em 2010. Outros cientistas os contradisseram. Disseram que se fosse um veleiro, seria mais fino. E se fosse uma nave, teria uma trajetória mais suave.

 

PROJETO INSTALARÁ DEZENAS DE SISTEMAS DE TELESCÓPIOS

Em vez de procurar sinais eletromagnéticos, como em iniciativas astronômicas anteriores, o Projeto Galileu irá em busca de objetos físicos associados a tecnologia extraterrestre, conhecidos com tecnoassinaturas. Os principais objetivos são: obter imagens de alta resolução de UAPs por meio de sensores de multidetecção para descobrir sua natureza; procurar e pesquisar em profundidade objetos interestelares semelhantes a Oumuamua e procurar potenciais satélites de civilizações extraterrestres.

Laukien, CEO da Bruker Corporation, assinalou que o projeto tem uma meta bem definida de explorar explicações físicas conhecidas, e que não se trata de especular sobre UAPs já observados ou sobre relatos informais. “Queremos dissipar o nevoeiro por meio de uma análise transparente e científica reunindo nossos próprios dados, e não baseados em dados de sensores do governo, porque a maioria desses dados é sigilosa”, disse ele.

A equipe do Projeto Galileu pretende montar dezenas de sistemas de telescópios em diferentes partes do mundo. Cada sistema terá dois telescópios de 25 centímetros com câmera, capazes de detectar objetos de interesse e ligados a um sistema de computador que filtra dados.

O nome do projeto é uma homenagem ao astrônomo, físico e engenheiro italiano Galileu Galilei (1564-1642). Pioneiro no uso de telescópios, Galileu é considerado o pai da astronomia observacional e da ciência moderna.