Por que imigrantes costumam ser mais empreendedores

Estudos sucessivos vêm demonstrando há anos que os imigrantes têm uma tendência maior a abrir empresas do que cidadãos nativos. As explicações para isso não pareciam, porém, muito claras para Peter Vandor, pesquisador da Universidade de Economia e Administração de Viena. Disposto a descobrir os motivos, ele realizou um estudo no qual constatou que escolhas pessoais associadas à personalidade – em especial a propensão a correr riscos – estão por trás do empreendedorismo característico de imigrantes.

Em artigo para a Harvard Business Review, Vandor conta que pesquisas anteriores atribuíram a disposição de imigrantes para correr os riscos de abrir uma empresa a influências do país para onde eles se mudavam, tais como discriminação no mercado de trabalho, políticas de imigração seletivas e disponibilidade de oportunidades específicas dentro de grupos étnicos em áreas caracterizadas por grande migração.

Sim, empreendedores de todos os tipos enfrentam o risco de fracassar no negócio. E os imigrantes se deparam ainda com outras ameaças, como desemprego, subemprego, xenofobia e traumas psicológicos. A hipótese de Vandor era de que pessoas com mais tolerância a riscos teriam uma tendência maior a perceber a emigração e o empreendedorismo como caminhos viáveis na vida. Tanto a decisão de emigrar voluntariamente quanto a de abrir uma empresa estão associadas a alto nível de risco, supôs ele.

Vandor precisou de doze anos para testar sua hipótese. Em 2007, ele colheu informações de 1.300 estudantes de engenharia e administração de duas universidades austríacas. Pesquisou suas preferências em termos de correr risco, suas intenções e seu planos concretos de abrir um negócio e ir para o exterior. Doze anos depois, ele coletou um segundo conjunto de dados de 360 daquelas pessoas, por meio de plataformas de mídia social profissional, para saber como estavam suas carreiras.

 

MOTIVAÇÃO PARA CONQUISTAR É OUTRA CARACTERÍSTICA CONSTATADA

Os resultados confirmaram sua hipótese: os estudantes que haviam indicado maior disposição a correr riscos mostraram uma tendência maior a emigrar e abrir um negócio. E em 2019, esses planos haviam sido realizados. Mais de um quarto deles havia mudado de país e muitos haviam se tornado empreendedores. Entre os não emigrantes, 19% haviam iniciado seu próprio negócio. Entre os emigrantes, 29% ainda viviam no exterior e tinham sua própria empresa. E entre aqueles que haviam voltado para o país de origem, nada menos que 43% haviam aberto um negócio ao longo do período de doze anos.

O pesquisador realizou análises estatísticas que confirmaram a disposição para riscos como uma grande influência nos resultados, mesmo levando em conta variáveis como idade, gênero sexual e experiência em empreendedorismo.

Constatações adicionais feitas por ele sugeriram que os efeitos de escolhas pessoais podem se estender a outras características de personalidade associadas a sucesso em empreendimentos e no mercado de trabalho. Os dados mostraram que pessoas com grande motivação para conquistar – uma tendência a estabelecer e realizar objetivos desafiantes – tinham uma probabilidade significativamente maior de emigrar e planejar abrir um negócio.