Reciclagem permite transformar roupa velha em açúcar

Pesquisadores do Departamento de Engenharia Química da Universidade de Lund, na Suécia, desenvolveram um processo capaz de transformar roupas velhas em açúcar. A reciclagem é possível desde que as roupas sejam de algodão. O açúcar resultante pode ser convertido em outros tecidos, como elastano e náilon, e ainda em etanol, disseram eles.

Os cientistas descobriram uma maneira de quebrar a fibra vegetal do algodão (celulose) em componentes menores. O processo dispensa o uso de enzimas. Eles põem ácido sulfúrico sobre os tecidos, o que resulta em uma solução de glicose (açúcar). Segundo os pesquisadores, mais de 90% do algodão é reaproveitado.

Um dos cientistas à frente da inovação, Edvin Ruuth afirmou: “O segredo está em encontrar a combinação certa de temperatura e concentração de ácido sulfúrico.” Ele acrescentou: “Nosso plano é produzir produtos químicos que, por sua vez, possam se tornar vários tipos de tecidos, incluindo elastano e náilon. Um uso alternativo poderia ser a produção de etanol.”

 

CIENTISTAS LEMBRAM IMPACTO AMBIENTAL DA INDÚSTRIA DA MODA

Considerando que o algodão é um recurso renovável, Ruuth explicou: “Alguns tecidos ainda têm fibras tão fortes que podem ser reaproveitados. Isso é feito hoje e pode ser feito ainda mais no futuro. Mas grande parte do tecido que é descartado tem fibras muito curtas para serem reutilizadas e, mais cedo ou mais tarde, todas as fibras de algodão se tornam muito curtas para o processo conhecido como regeneração de fibras.”

No trabalho, os pesquisadores afirmam: “A indústria da moda tem um impacto ambiental considerável, em especial devido à maior geração de resíduos têxteis como resultado dos rápidos modelos de negócios de moda. Embora processos de reciclagem fibra por fibra estejam sendo desenvolvidos, esses processos são, na realidade, processos de downcycling, em que as propriedades mecânicas das fibras têxteis são empobrecidas a cada ciclo.”

Por isso, explicam os cientistas, são necessárias novas alternativas. “Nós avaliamos a possibilidade de usar hidrólise de ácido para despolimerizar diretamente as fibras de algodão de resíduos têxteis para produzir uma solução de glicose, que subsequentemente pode ser usada para a produção de substâncias químicas ou combustíveis.”

Dos cerca de 100 milhões de toneladas de tecidos jogados fora a cada ano no mundo, 25 milhões são de resíduos de algodão. Na Suécia, onde foi feito o estudo, grande parte desse material é incinerado. Em outros lugares, vai para aterros sanitários.

 

SUBSTITUIÇÃO DE MADEIRA POR ROUPAS VELHAS PARA OBTER CELULOSE

Estudos já mostraram que as fibras de roupas poluem mais os oceanos do que os plásticos. Cientistas da Alemanha e da Suécia desenvolveram uma tecnologia capaz de transformar a polpa resultante da trituração de roupas velhas em celulose pura, cuja fonte em geral é a madeira. 

Essa reciclagem permite, portanto, substituir madeira por roupas velhas. A celulose pode ser regenerada para a produção de fibras como viscose, rayon, modal e liocel.

O cientista André Lehman, um dos responsáveis pelo processo inovador, afirmou que o resultado é um fio constituído inteiramente por celulose e de qualidade semelhante à da celulose regenerada a partir da madeira.

“As roupas de algodão costumam ser incineradas ou vão parar no aterro. Agora, elas podem ser recicladas várias vezes para contribuir com uma maior sustentabilidade na moda”, disse Lehman. “O material inicial para as fibras de viscose de rayon tem sido a celulose à base de madeira. Otimizando os processos de separação e intensificando a filtração das fibras estranhas no processo de fiação, com o tempo seremos capazes de estabelecer a fibra de algodão natural reciclado como uma fonte alternativa séria de celulose e matéria-prima básica.”