Tempo de tela e saúde mental das crianças

Pré-adolescentes que passam tempo demais em contato com mídias eletrônicas são mais propensos a repetir comportamentos depressivos, e terão mais dificuldades em controlar esse quadro em relação aos que passam menos tempo expostos às telas. Esses números se acentuam se as crianças apresentarem sintomas de ansiedades e outros problemas que afetam sua saúde mental.

Se as crianças já apresentarem comportamento depressivo, o uso de celulares e computadores tende a aumentar, como um mecanismo de enfrentamento da realidade. Em um estudo recente, que incluiu 4.139 crianças, verificou-se que o tempo de exposição às telas é proporcional à seus níveis de  saúde mental. Ao analisar tipos específicos de uso de mídia eletrônica, os pesquisadores ressaltam que os videogames e os videochats estão associados à ansiedade. Por outro lado, ver vídeos é mais associado com o comportamento depressivo.

Há também uma diferença clara entre meninos e meninas. O uso da mídia eletrônica no fim de semana tende a prever ansiedade em meninos, mas não em meninas. Isso pode ser derivado do tipo de entretenimento tradicionalmente oferecido aos meninos em detrimento do que é oferecido socialmente às meninas, como videogames e desenhos animados.

Especulando sobre a natureza das associações encontradas no estudo, os pesquisadores afirmaram que crianças com depressão estão usando mídia eletrônica para lidar com sentimentos negativos. O uso da mídia eletrônica ocuparia o tempo em que esses pré-adolescentes poderiam estar engajados em atividades sociais, tornando mais difícil o tratamento do quadro depressivo.

Mudar os hábitos de consumo de mídias eletrônicas é portanto uma abordagem válida para o tratamento da depressão infantil. A pesquisa indica que as crianças deprimidas passas mais tempo usando mídias eletrônicas, mas ressalta que não é possível ainda estabelecer se essas mídias são um gatilho para o comportamento depressivo. De qualquer forma, prestar atenção às alterações de humor das crianças em contato com essas mídias é importante, e recorrer ao atendimento especializado pode ajudá-las a contornar essa situação.