Web3: perspectiva de uma internet mais eficiente

Se a internet representou uma inédita revolução em tecnologia e comunicação – e lá se vão décadas desde que chegou – profissionais de tecnologia vêm prevendo uma nova revolução: a Web 3.0. Trata-se de uma nova rede em que uma das inovações é a interpretação de um número muito maior de dados pelas máquinas, permitindo-nos interagir em qualquer plataforma.

Anunciada como uma nova fase da internet, ou ainda como uma internet de segunda geração, a Web 3.0 pretende dar mais inteligência e eficiência à conexão, bem como mais controle do usuário sobre seus dados. Já não seriam necessários grandes sistemas operacionais ou hard disks para guardar informações. Tudo ficaria na nuvem. E tudo seria mais rápido, mais eficaz e mais personalizado.

Outra característica essencial da nova web é a descentralização da internet, de modo que grandes empresas de tecnologia teriam seu poder reduzido. Isso gera dúvida e desconfiança em parte dos especialistas da área. Seria a Web3 capaz de pôr fim à hegemonia de gigantes como o Google e a Meta? Não por acaso, já expressaram ceticismo líderes como Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, e Jack Dorsey, cofundador do Twitter.

Foi justamente a ideia de que é preciso remodelar e descentralizar a internet que levou o engenheiro de computação britânico Gavin Wood a criar o termo Web3, em 2014, e a desenvolver o conceito. Wood é cofundador da criptomoeda ethereum. Ethereum é o segundo protocolo de blockchain mais usado no mundo, e representa a base da Web3.

 

MAIS RAPIDEZ, SEGURANÇA E RESISTÊNCIA A ATAQUES

Para desenvolver o conceito da nova rede, Wood criou a Web3 Foundation. Abriu também a Parity Technologies, uma empresa de infraestrutura blockchain, para o processo de descentralização. Conhecida por servir de base a criptomoedas, a blockchain é uma tecnologia que permite criar blocos e cadeias de dados.

Assim, se a Web 1.0 se baseou em hyperlinks e a Web 2.0 nas redes sociais, a Web 3.0 (Web3) estaria calcada na tecnologia blockchain.

“Precisamos ter a mente aberta, porque a blockchain é muito mais que uma criptomoeda. A Web3 é muito mais interessante que o valor de um token” afirmou à BBC Ursula O’Kuinghttons, diretora de comunicação da Parity.

A ideia é “atualizar a Web para torná-la mais rápida, mais segura, mais resistente a ataques e mais aberta”, disse Colin Evran, que trabalha no desenvolvimento da Web3, dirigindo os ecossistemas de dois protocolos da Protocol Labs, empresa americana de tecnologia blockchain.

Para Evran, a Web3 “Muda toda a arquitetura da Web”. Ele explicou que os usuários poderão ter acesso a milhares de centros de dados no mundo, bem como escolher quem guarda seus dados, e como. Atualmente, a Amazon, a Google e a Microsoft estão à frente no mercado de armazenamento de dados na nuvem.

 

ALGORITMO QUE NÃO PODE SER MANIPULADO

Segundo o especialista, na Web3 haverá mecanismos para checar dados e abolir inconvenientes como as fake news. Ele observou: “Quando você abre o Google ou outro navegador e vai a um site da Web, você usa o protocolo HTTP. Você ‘diz’ a esse protocolo para buscar um arquivo em uma localização específica.”

Evran fez uma comparação com a busca de um livro numa cidade. “É como se, para encontrar um livro, você tivesse que obrigatoriamente fazê-lo por meio da Biblioteca Pública de Nova York. Se essa biblioteca desmorona, ou o governo coloca um guarda de segurança, você já não pode acessar o conteúdo. É uma estrutura controlada de maneira central.”

Ele acrescentou: “No mundo da Web3, cada cópia do livro estará comprimida em um algoritmo criptográfico que não pode ser manipulado. E poderemos compartilhá-lo mesmo sem estar conectados à rede.”

Para O’Kuinghttons “é cada vez mais urgente que tenhamos uma internet mais igualitária e equitativa”. Embora venha sendo desenvolvido há anos, o conceito de Web3 ainda está engatinhando, admitiu ela. “Mas em 2021 já vimos um impulso enorme com o avanço dos NFTs e dos metaversos. Em 2022, veremos mudanças cruciais, como a expansão dessas tecnologias, que não são nada mais que a Web3.”

 

Com informações do artigo de Lucía Blasco para a BBC News Mundo.