Descarte de lixo: desafio ambiental e sanitário na pandemia

O ser humano altera seu ambiente em uma proporção devastadora. Observa-se um aumento significativo de danos ambientais, como mudanças climáticas, destruição das florestas, poluição atmosférica e destinação inadequada de resíduos. Fenômenos como o aumento do nível do mar devido ao derretimento de geleiras, a interferência na biodiversidade natural do planeta e o desequilíbrio de habitats têm como consequências o surgimento de doenças e a proliferação de patógenos.

É possível destacar uma relação direta entre problemas ambientais e o aparecimento de novas doenças e surtos infectocontagiosos. Historicamente, evidenciam-se os de Ebola, gripe aviária, síndrome respiratória aguda grave e atualmente a pandemia do novo coronavírus. Além disso, o número de mortes devido à poluição aumentou 14% em dez anos, de acordo com o Ministério da Saúde (2020).

É importante ter em mente que o ser humano faz parte de um ambiente inteiro, interconectado como um quebra-cabeça. Não se pode pensar em meio ambiente sem pensar em saúde e bem-estar, já que tudo é interligado. Na natureza, os desequilíbrios afetam todos.

 

DESCARTE DE RESÍDUOS CONTAMINADOS

Embora ainda não esteja claro como surgiu o novo coronavírus, fontes científicas afirmam que a pandemia pode ter relação com a destruição ambiental, a ameaça à vida selvagem, a diminuição dos ambientes florestais, a fragmentação de habitats, o comércio ilegal de animais e o crescimento de espécies invasoras. Destacam-se também as cidades inchadas, o crescimento desordenado, a falta de saneamento básico e a geração de grande quantidade de resíduos descartados de forma inadequada.

O isolamento social trouxe aos responsáveis pela gestão e destinação de resíduos (governos federal, estadual e municipal) outra preocupação: como descartá-los corretamente, sem prejudicar ainda mais a população e o meio ambiente, visto que o consumo tem aumentado e, consequentemente, a quantidade de resíduos domésticos também. Por isso, as ações de descarte, recolhimento e destinação de resíduos devem obedecer aos critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Política Nacional de Resíduos Sólidos:

  • Resíduos hospitalares: podem oferecer risco biológico, radioativo ou químico. Devem ser armazenados em embalagens apropriadas de acordo com o tipo e transportados e depositados de modo a não causar danos à saúde humana e à natureza. Práticas como desinfecção, proteção e capacitação dos profissionais são essenciais.
  • Resíduos domésticos: aqueles classificados como não recicláveis e sem utilidade devem ser encaminhados à coleta de lixo convencional. Incluem papel higiênico, absorventes, fraldas, esponjas, isopor, pontas de cigarro e papel sujo. Os resíduos recicláveis devem ser encaminhados a coleta seletiva. São jornais, revistas, caixas de papelão, latas de alumínio, embalagens plásticas de produtos de higiene pessoal e vidros.

A pandemia impõe ainda a preocupação de lidar com o descarte de resíduos de pessoas contaminadas e que estão em isolamento em residências, bem como o descarte de máscaras e luvas. Neste caso, a orientação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) é para que resíduos contaminantes não sejam misturados aos resíduos recicláveis e sejam armazenados em sacolas plásticas para serem descartados no lixo convencional.

Em síntese, é possível atenuar os problemas destacados por meio de um conjunto de atuantes. As instituições responsáveis pelo descarte adequado dos resíduos devem agir para minimizar os desequilíbrios e crimes ambientais. Além disso, cada cidadão é responsável pela geração de seu resíduo e deve repensar atitudes, valores e comportamentos de consumo e descarte. Assim, contribuirá para um futuro mais sustentável.

Lucia Collaço é educadora ambiental e técnica da ONG Circuito de Interação de Redes Sociais (Circus) que atua junto a cooperativas de catadores de materiais recicláveis no sul do Estado do Rio de Janeiro.