Se você tiver algo para dar a alguém, dê a si mesmo

Relacionamentos são oportunidades de evolução, não uma premiação de Deus por bom comportamento, nem tampouco uma bengala velha em que você se apoia como se não se aguentasse nas próprias pernas.

A busca por um relacionamento muitas vezes é para preencher um vazio interno. Buscamos no outro aquilo que nos falta sem saber o que é, e essa falta pode até nos levar a um lugar “seguro”, como acontece, por exemplo, na relação com a comida. Tentamos preencher o buraco do amor-próprio nos submetendo à satisfação imediata do desejo, então comemos sem restrição nem consciência. Ou então nos subjugamos a fazer o que deixa o outro feliz só para ganharmos uma importância ou um valor que não damos a nós mesmos. E com isso convivemos com mais frustrações no corpo e no coração.

Vamos pensar no esforço que fazemos para dar ao outro tudo aquilo de mais maravilhoso, para que ele fique feliz. É lindo, não? Não. É, como diz o ditado, dar pérolas aos porcos. Uma energia desperdiçada. Lindo mesmo é quando você dá a si mesmo uma vida incrível. Vamos combinar que o trabalho é o mesmo, porém o resultado é magnífico. Porque você nutre a si mesmo e, assim, torna-se A pessoa interessante, que até você mesmo iria querer namorar. E só então você está pronto para viver um amor verdadeiro e um relacionamento próspero.

Um relacionamento não pode ser uma relação de dependência do amor do outro, da força do outro, da vitalidade e alegria do outro. Um relacionamento é uma troca justa de experiências e evolução. Desentendimentos sempre vão existir, e o que dará sustento na hora em que você estiver odiando aquela pessoa que ama, porque ela deixou a toalha molhada em cima da cama, será tudo aquilo que você cresceu, viveu e evoluiu com ela. Será uma linda história de amor genuíno.

Costumo dizer que dar a si mesmo tudo de mais maravilhoso é fácil, mas é trabalhoso. Fomos criados sem poder ser nossa melhor versão. Muitos de nós não tivemos nossos potencias enaltecidos pelos pais ou por quem nos criou na primeira infância, então acabamos sendo impactados pela educação, pelo meio social, pela mídia, filmes, músicas. Tudo isso vai nos moldando e criando um buraco imenso que não aprendemos a preencher com o que gostamos de verdade.

Quando a dor de um relacionamento abusivo, por exemplo, é percebida, quando essas questões são evidenciadas nos desentendimentos, você tem uma oportunidade de entender, através da dor de uma relação, que não recebeu a atenção que desejava. Veja a oportunidade de reconhecer o pouco que você tem dado a si mesmo. Agora, você começa a se permitir perceber seus buracos, seu vazio, sua sombra de abraçar e acolher a si mesmo e se reconstruir ainda melhor, porque agora tem consciência do que quer.

Quando você dá a si mesmo o melhor, o mundo lhe quer, porque a vida gosta de gente feliz, alto astral, abundante. Com isso não estou dizendo que você não pode estar triste ou recolhido, mas sim que quando você é você, sabe usar esses momentos mais recolhidos para crescer e evoluir. E não para sugar a vida de outra pessoa que sentirá você com um fardo.

Encontrar livros, meditações, cursos, terapias, bons amigos e o que mais for possível para se conhecer profundamente é uma forma espetacular de crescimento e autoamor. Só a partir desse espaço interno nutrido é que podemos ser para ter o que desejamos. Seja você sua maior fonte de prazer.

Vanessa Freire é coach e terapeuta integrativa.