Cientistas criam reciclagem mais eficiente de baterias

Pesquisadores da Aalto University, na Finlândia, descobriram uma maneira de reutilizar baterias que pode vir a favorecer a produção de aparelhos portáteis, como smartphones, e ainda de carros elétricos. O processo permite uma reciclagem mais fácil das baterias. Com isso, reduziria o uso de matérias-primas que poderiam se tornar escassas devido ao aumento da produção de aparelhos, entre as quais o cobalto.

Segundo os cientistas, os eletrodos de baterias de lítio, que contêm cobalto, podem ser reutilizados após esse processo inovador. Geralmente, a reciclagem tradicional desse tipo de material extrai os metais de baterias prensadas derretendo-as ou dissolvendo-as. O novo processo enche novamente os eletrodos de lítio. Assim, preserva matérias-primas valiosas e ainda poupa energia.

O aumento da produção de carros elétricos e aparelhos portáteis tende a provocar um crescimento anual estimado de 25% na produção de baterias recarregáveis. Isso poderia resultar em falta de certas matérias-primas. Atualmente, os métodos de reciclagem de baterias são deficientes.

As baterias de íon de lítio têm dois eletrodos entre os quais se movem partículas eletricamente carregadas. Usa-se óxido de lítio-cobalto em um dos eletrodos e, na maioria das baterias, o outro eletrodo é feito de carbono e cobre. Nos métodos de reciclagem comuns, alguns materiais são perdidos e o óxido de lítio-cobalto se transforma em outros compostos de cobalto, o que exige um demorado processo químico para fazê-los voltar a ser material de eletrodo.

O novo método evita esse processo complicado. Ao reabastecer o lítio que foi gasto no eletrodo por meio de eletrólise – um processo usado com frequência na indústria – os compostos de cobalto podem ser diretamente reutilizados.

Publicados na revista científica ChenSusChem, os resultados mostram que o desempenho dos eletrodos novamente saturados de lítio é tão bom quanto o dos novos. Um dos responsáveis pela descoberta, o professor Tanja Kallio disse acreditar que o método poderia funcionar em escala industrial.

“Reutilizando as estruturas de baterias podemos evitar grande parte do trabalho que é comum na reciclagem e ao mesmo tempo economizar energia”, afirmou o professor. “Acreditamos que o método pode ajudar empresas que estão desenvolvendo reciclagem industrial.”

Os pesquisadores pretendem agora verificar se o método poderia ser usado com baterias à base de níquel utilizadas em carros elétricos.

Localizada perto de Helsinki, a Aalto é uma das maiores universidades da Finlândia. É considerada a que oferece melhor formação em engenharia e tecnologia.